| José Carreira: “Fiat bateu no fundo e hoje está muito forte” |
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No dia em que foi conhecida a nova estrutura da Fiat Auto Portuguesa, agora Fiat Group Automobiles Portugal S.A., fomos recuperar uma entrevista com José Carreira no início do corrente ano.
Em entrevista ao LusoMotores em Janeiro último, em serviço especial do LusoMotores para a revista Rent Magazine, José Carreira, à data da entrevista o Director Comercial e Marketing da Fiat Auto Portuguesa, não hesitava em afirmar que a “Fiat bateu no fundo e hoje está muito forte”. Por aquela altura estava longe de saber que viria a assumir de novo as principais responsabilidades na área da Fiat Professional. onde já então reonhecia que foi possível realizar um trabalho ímpar, tendo mesmo sido a tábua de salvação da empresa quando esta navegava à deriva.
Licenciado em Economia, José Carreira chegou ao mundo de trabalho em 1994, na Rover Portugal, como “controller”, logo após ter terminado a sua formação académica no Instituto Superior de Economia e Gestão, então com 23 anos. A Iveco, a Opel e a Peugeot Portugal sugiram como etapas na sua carreira profissional, acabando por ingressar na Fiat Auto Português (FAP) no final de 2002, então como responsável para a área de veículos comerciais, iniciando aquela unidade de negócio de uma forma totalmente autónoma. À data desta entrevista, o nosso interlocutor era o Director Comercial e Marketing da empresa para a Fiat, abrangendo as vertentes de veículos de passageiros e comerciais, mas no seu trajecto dentro da empresa chegou já a assumir, sozinho, as responsabilidades de nove elementos da Direcção da FAP. Ao entrar na FAP para assumir a responsabilidade dos veículos comerciais, tida então como a gama mais importante na marca já que era a única que dava um contributo positivo para a Fiat, José Carreira encontrou o desafio permitido pela realidade da Fiat Veículos Comerciais (VC), que vendia pouco mais de 100 carros por mês, com lucros inexistentes, o que o levou a desenvolver um trabalho que, recorda, “permitiu, para os veículos comerciais, no final de 2003, apresentar um lucro de dois milhões de euros, acrescentar duzentas unidades por mês às vendas, e subir a quota de mercado de 2% para 5,3%, num trabalho que se prolongou até 2004”. Pouco tempo depois, as suas responsabilidades subiram de forma vertiginosa durante a já referida reestruturação ibérica, quando acumulou funções até então desempenhadas por nove pessoas, todas ao nível da Direcção, como recorda: “A Fiat Auto Portuguesa tinha um pilar de volume concentrado na Fiat, tinha um pilar de rentabilidade em redor dos veículos comerciais, e depois tinha ainda mais duas marcas que estavam, e estão ainda, a passar por momentos mais difíceis, porque são marcas de menos volume, com outro ciclo de produto. Assim, houve a necessidade de me repartir em múltiplas funções, na área comercial e marketing, e para múltiplas marcas, o que levou a que acabasse por ter um nível médio de atenção mais baixo, porque era necessário da minha parte repartir a atenção por quatro marcas, ao que acumulava ainda a responsabilidade directa dos usados, o que era um problema enorme. Recordo que em 2004 ainda tínhamos um stock de cerca de 2500 carros, um valor alucinante se pensarmos que tínhamos uma média de vendas de 250 unidades por mês”. Em Janeiro de 2006, já com a estrutura da Fiat mais “tranquila” e “esclarecida”, José Carreira assumiu a Direcção Comercial e Marketing, nomeadamente esta última área, naquele que define como “mais um desafio muito interessante”, mas do qual garante gostar muito. “Passei uma parte importante da minha vida no marketing, e olhando para o último ano, tenho muito orgulho naquilo que a marca fez. Fomos uma marca que fez um lançamento importante como o do Grande Punto de uma forma muito diferente relativamente ao que era habitual e tradicional em termos de meios utilizados, na forma de abordagem feita ao produto e na publicidade, e tudo isso foi feito, não com uma maior esforço de investimento, mas antes procurando aplicar muito melhor o dinheiro para tornar visível o trabalho realizado”. “Ainda temos um problema que vamos resolver para o ano, que é facto de não estarmos presentes no segmento C, um segmento que representa 40% do mercado automóvel português, e que, só por esse facto, impede que as pessoas tenham a ideia mais correcta daquilo que é a marca hoje, mas os lançamentos que vamos fazer, nomeadamente o Fiat Bravo, o Fiat 500 – este vai ser, seguramente, mais um grande sucesso da marca –, e o Fiat Línea, um produto em que acreditamos muito pela força que possui, vamos certamente conseguir excelente resultados”.Ao longo de 2006, o crescimento da Fiat no mercado internacional, mas também, e particularmente, em Portugal, foi perceptível até pelo observador menos atento, com um crescimento, em termos de volume de vendas, na ordem dos 25 por cento. Obviamente que este volume assentou muito sobre o Grande Punto, até porque a Fiat não está presente no segmento C, e isso levou a uma pergunta concreta: não será um risco muito grande sustentar o crescimento de uma marca num só produto? José Carreira não hesita na resposta: “Era um risco se não víssemos a luz ao fim do túnel, mas a verdade é que em 2007, com a chegada de três novos produtos, poderemos dizer que não somos uma marca ‘mono-segmento’. Seremos antes uma marca presente em todos os segmentos, e com muita força, de uma forma que a Fiat nunca teve”. “Uma comunicação correcta é determinante para o sucesso, mas a verdade é que num passado recente, não houve a capacidade de comunicar essas novidades às pessoas, que apenas agora estão a aperceber-se da capacidade que a marca possui de inovar”, acrescenta ainda José Carreira para quem a Fiat procurou, ao longo do último ano, comunicar a realidade do Multijet, sempre com o cuidado de designar os motores como sendo “diesel Multijet”, associando os conceitos para deixar as coisas bem claras e evitar equívocos.Também por isso, este responsável considera que deverá ser atribuída à área de Marketing uma fatia do sucesso da Fiat Auto Portuguesa pela eficiência com que tem conseguido investir o respectivo orçamento: “Temos conseguido ser eficientes e apostámos na inovação. Fomos a primeira marca a fazer um lançamento de um novo modelo como o Grande Punto com uma acção de ‘drop-mail’ para quatro milhões de lares de portugueses, adoptámos uma estratégia de visibilidade dos nossos modelos junto dos nossos concessionários com imagens de enorme tamanho, por forma a que seja impossível que passem despercebidas, e tudo isso resulta de uma estratégia de marketing que se tem revelado acertada, o que me permite um orgulho particular”. A rede Fiat é actualmente formada por um total de 32 concessionários, e é de crer que dentro de um ano a ano e meio este número se mantenha, ainda que aquele que surgia no início do ano como Director Comercial e Marketing da marca admitisse por essa altura que os 32 concessionários que possam estar em funcionamento no futuro a médio prazo possam não ser propriamente os mesmos que existem actualmente. Afinal, como recorda, a exigência para se ser concessionário automóvel é cada vez maior, e a qualidade é um factor determinante. “Toda a nossa estratégia vai funcionar em redor da qualidade, com uma selecção natural da espécie na qual só os bons vão sobreviver. A marca Fiat voltará a ter muitos produtos novos, mas o nível de exigências vai ser também substancialmente superior para fazer face à necessidade de satisfação do cliente”, explica. Franco crescimento em 2006 e o dobro de vendas em 2010. “Assim, depois de termos regressado aos dez primeiros, queremos consolidar resultados, e temos objectivos para Portugal que passam por conseguir duplicar as vendas até 2010, uma meta difícil mas possível com a linha de produtos que teremos ao nosso dispor. Apesar disso, em 2007, e perante a previsão dos lançamentos em termos de sazonalidade, não podemos ainda ter objectivos muito elevados, até porque sabemos que o crescimento não sustentado pode trazer maus resultados práticos”, afirma José Carreira para quem o duplicar das vendas, apesar de ser uma meta ambiciosa, é consciente, num momento em que a colocação no mercado do Bravo irá permitir à Fiat passar a competir em mais 40% do mercado através da entrada no segmento C. Ainda a propósito do mercado automóvel português, sempre importante na sua análise é a forma como está estruturada a carga fiscal, sobre a qual estão prometidas importantes mudanças. “O facto de começarmos a dar uma preponderância maior à parte ecológica é positivo, e é esse o caminho a adoptar, mas não acredito que o Governo avance para uma alteração radical do sistema actual, pelo que penso que a anunciada mudança no quadro fiscal não deverá ter grande influência na dinamização do mercado em 2007”, explica José Carreira, para quem “não é possível dizer que os carros vão baixar”. No final, pedimos a José Carreira uma definição para o momento vivido àquela data, no início de Janeiro último da então ainda Fiat Auto Portuguesa: “Vivemos um momento de esforço para os grandes sucessos que aí vêm. Nós somos muito humildes, e achamos que serão os clientes a ditar as glórias, sendo certo que temos produtos que irão ser sucessos enormes”. Entrevista de: Este endereço de email está protegido de spam bots, necessita ter o Javascript activado para o poder visualizar |
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